Qual foi a inspiração para a concepção do projeto?
“Existem casas que carregam memórias. Outras, carregam gerações inteiras.”
O Apartamento Parquet sempre pertenceu à mesma família e, por décadas, foi palco de encontros, celebrações e da construção de uma história afetiva. Quando surgiu a necessidade de transformá-lo para atender a uma nova dinâmica de vida, o maior desafio não era apenas modernizar seus espaços, mas preservar aquilo que nenhuma reforma é capaz de reconstruir: sua identidade.
O projeto nasceu dessa reflexão.
Antes de qualquer desenho, foi preciso compreender como aquela família habitava o espaço, quais lembranças desejava preservar e como seria possível escrever um novo capítulo sem apagar os anteriores. Foram desenvolvidos nove estudos de layout até encontrar uma solução capaz de equilibrar expectativas, limitações estruturais e novas formas de morar.
Mais do que reorganizar ambientes, a proposta foi reinterpretar o apartamento a partir daquilo que ele já possuía de mais valioso: sua história.
A recuperação do piso original em parquet tornou-se símbolo dessa continuidade. Ao redor dele, uma nova arquitetura se desenvolve com ambientes integrados, iluminação natural potencializada e soluções que aproximam a família da convivência cotidiana.
A cozinha passou a ocupar uma posição central na casa, deixando de ser apenas um espaço de serviço para tornar-se um ambiente de encontro. A redistribuição completa dos banheiros, a integração dos pilares existentes ao desenho da marcenaria e o estudo minucioso da circulação demonstram que as transformações mais significativas muitas vezes acontecem naquilo que não é imediatamente percebido.
Cada decisão foi guiada por uma pergunta simples: como criar uma casa contemporânea sem perder a memória que faz dela um lar?
O resultado é uma arquitetura silenciosa, que não busca protagonismo sobre a vida de quem a habita, mas cria o cenário para que novas histórias continuem sendo construídas.
### Em qual cidade o projeto está localizado?
Brasília – Distrito Federal.
### Qual é a metragem?
Aproximadamente 150 m².
### Destaque os principais materiais utilizados.
O projeto parte da valorização dos materiais originais do apartamento, especialmente do piso em parquet, cuidadosamente restaurado para preservar a memória da residência. A ele se somam marcenaria em madeira natural, pedras claras, tecidos de fibras naturais e painéis sob medida que organizam os ambientes sem comprometer sua leveza visual.
A iluminação foi concebida como parte da arquitetura, valorizando texturas, obras de arte e a relação entre luz natural e artificial ao longo do dia. A materialidade privilegia a permanência, reforçando a ideia de que um projeto atemporal nasce menos da tendência e mais da qualidade das escolhas.
Existe no projeto algum mobiliário ou obra de arte que gostaria de destacar?
O projeto reúne peças de design e obras de arte que dialogam com a arquitetura de forma sensível, reforçando a atmosfera acolhedora e atemporal da residência.
Na sala de estar, destaca-se a mesa de centro Trellis, assinada pela designer brasileira Karoline Bortoluzzi. Seu desenho leve e contemporâneo estabelece um contraponto à presença marcante do parquet original, criando uma composição que valoriza tanto a memória do apartamento quanto o design brasileiro atual.
Entre as obras de arte, merece destaque a gravura do artista Marcelo Sola, cuja linguagem gráfica acrescenta identidade e profundidade à área social. A escolha da obra contribui para a narrativa do projeto, aproximando arte, arquitetura e cotidiano em uma composição equilibrada.
Também se destacam a marcenaria desenvolvida especialmente para integrar os pilares existentes ao novo layout e o painel deslizante entre cozinha e área social, soluções arquitetônicas que unem funcionalidade, flexibilidade e leveza visual.
Mais do que peças isoladas, mobiliário, arte e arquitetura foram pensados como um conjunto, criando espaços que acolhem a rotina da família e refletem sua história de maneira contemporânea.
*Localização:* Brasília – DF
*Área:* aproximadamente 150 m²
*Fotografia:* Júlia Tótoli