Apartamento Frevo

Qual foi a inspiração para a concepção do projeto?

Algumas mudanças de cidade exigem mais do que uma nova casa. Exigem um lugar onde seja possível continuar pertencendo.

O Apartamento Frevo nasceu para uma pernambucana que chegou a Brasília carregando consigo muito mais do que malas. Trouxe memórias, tradições, afetos e uma relação profunda com sua terra natal. O desafio do projeto era transformar um apartamento originalmente neutro e sem identidade em um espaço capaz de representar quem ela é.

Desde as primeiras conversas, ficou evidente que Pernambuco deveria estar presente na arquitetura, não como uma referência estética isolada, mas como parte da narrativa da casa.

O carnaval de Olinda, o frevo, o artesanato popular, o legado familiar dos ladrilhos hidráulicos e o design brasileiro tornaram-se os fios condutores do projeto.

O elemento mais simbólico dessa história nasceu de um processo criativo compartilhado entre arquiteta e cliente. Inconformadas com os desenhos existentes no mercado, desenvolvemos um ladrilho hidráulico exclusivo inspirado na sombrinha de frevo. A partir dos princípios do rapport, criamos um revestimento autoral que traduz movimento, ritmo e identidade.

Outro momento marcante do projeto foi o resgate das matrizes de ladrilhos pertencentes ao avô da moradora, que trabalhou durante anos com esse ofício. Incorporar esse desenho ao banheiro social significou transformar uma herança familiar em arquitetura.

Cada ambiente foi pensado para equilibrar cores, memória e contemporaneidade. A decoração reúne obras produzidas pela própria cliente, objetos de artesãos pernambucanos e peças do design brasileiro contemporâneo, demonstrando que tradição e sofisticação podem coexistir de maneira natural.

Mais do que um apartamento colorido, o Frevo é uma casa sobre pertencimento. Um projeto que mostra como a arquitetura pode preservar histórias, fortalecer identidades e criar vínculos entre o lugar de onde se veio e aquele que passa a ser chamado de lar.

Em qual cidade o projeto está localizado?

Brasília – Distrito Federal.

Qual é a metragem?

70 m².

Destaque os principais materiais utilizados.

A materialidade do projeto foi escolhida para reforçar sua narrativa cultural. O ladrilho hidráulico ocupa papel central, acompanhado pelo granilite, pela madeira natural e pela marcenaria sob medida. A paleta cromática dialoga com as manifestações populares pernambucanas, enquanto as diferentes texturas aproximam tradição artesanal e design contemporâneo.

Existe no projeto algum mobiliário ou obra de arte que gostaria de destacar?

O maior destaque é o ladrilho hidráulico exclusivo desenvolvido especialmente para o projeto, inspirado na sombrinha de frevo e criado em parceria com a cliente.

Também merece destaque o ladrilho produzido a partir das matrizes herdadas do avô da moradora, incorporando ao apartamento um importante legado familiar.

O projeto ainda reúne xilogravuras de J. Borges, peças artesanais de Marcos da Sertânia, Cida Lima, Mara de Juazeiro do Norte, Leno, Ilha do Ferro Alagoas, Nicinha Caruaru e Rafael Bernardes, RJ. Além das cadeiras assinadas por Danilo Vale e do pendente da Bossa, de Fernando Prado para Lumini, estabelecendo um diálogo entre arte popular, memória e design brasileiro contemporâneo.

*Localização:* Brasília – DF
*Área:* 70 m²
*Fotografia:* Júlia Tótoli

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